sábado, maio 28, 2005

SENSEI TAIJI KASE

"Treinar Karate é como tentar fazer fogo com fósforos molhadas. Depois de várias tentativas pode-se conseguir alguns faíscas, mas for paciente conseguirá um fogo durará para sempre."

Sensei Taiji Kase, na Finlândia Outubro de 1995.



O Sensei Taiji Kase nasceu em 1929. O seu pai era um famoso instrutor de judo. Assim, foi com alguma naturalidade que Sensei Kase começou a prática de Judo muito cedo, com 6 anos, chegando até à graduação de 2.º Dan.

Ao completar os seus 14 anos viu pela primeira vez uma demonstração de Karate. Depois disso nada o poderia o impedir de treinar de Karate. Sensei Kase foi aluno de Sensei Gichin Funakoshi, bem como e principalmente com o filho deste, Sensei Yoshitaka Funakoshi, o qual teve uma grande influência no Karate do Sensei Kase.

Mais tarde, veio a treinar com o Sensei Hiroshini, que baseava a sua técnica de combate no Gedan Barai e Gyaku Tsuki e que dizia serem estas técnicas as suficientes para um bom combate.




A Segunda Guerra Mundial alterou a vida de todos os habitantes do o Japão. Sensei Kase também viveu por aquele tempo, e foi um dos pioneiros reanimar a posição do Karate no Japão depois da guerra. Os karatekas da época treinaram extremamente duro. Muitos deixaram o treino, mas os que se mantiveram são uma parte da história de Karate.

Então era tempo para começar a divulgar o Karate pelo resto do mundo, incluindo também a Europa. Sensei Kase deixou Japão em 1964. Naquele momento estava já ele estabelecido e bem respeitado como instrutor da Japan Karate Association, J.K.A., e juntamente com o Sensei Nishiyama e Sensei Nakayama, formava o grupo de instrutores de topo da Japan Karate Association da época.

Depois que um curto período na Holanda e Bélgica estabeleceu-se em Paris, onde vive actualmente. A sua ida para França deveu-se sobretudo a um contratempo na vida particular de outro instrutor, que ficou privado de dirigir um estágio neste país, tendo como contrapartida oferecido os préstimos do Sensei Kase. Esta oferta foi aceite com reservas, pois não era conhecido em França, mas atendendo que já não era conveniente desmarcar o estágio acabaram por aceitar a oferta.

Todo o cepticismo posto à volta do Sensei se desfez nos primeiros contactos, pois para além de um óptimo executante o Sensei Kase conseguiu imediatamente cativar todos os alunos.

Por estes tempos o Mestre Kase tinha recentemente terminado uma temporada a dar instrução na África do Sul. Devido a este clima estavam criadas condições para que os africanders se voltassem para a defesa pessoal, as artes marciais, o Karaté. No entanto era difícil convencer estas gentes, que são na generalidade um povo de compleição física, que o Karate era eficaz, mesmo praticado por indivíduos de baixa estatura.

Para os fazer acreditar nisso, a Japan Karate Association (JKA) enviou o "pequeno" Kase, que rapidamente dissipou todas as dúvidas existentes. Este apesar do trabalho desenvolvido abandonou a África do Sul, por não entender o clima de apartheid...

Após o primeiro estágio em França, o Sensei Kase propôs à organização deste país ficar a tomar conta do Dojo de Saint-Raphael. A França acabava de receber de mão beijada um grande mestre e um não menos grande combatente.

Devido ao seu talento excepcional e experiência a Federação de Karate Francesa pediu-lhe que ensinasse os atletas franceses. Porém, manteve esta posição durante pouco tempo, para continuar o seu próprio caminho no sentido de transmitir o seu Karate de Shotokan, livre de qualquer obrigação político-desportiva.

Mas quem era este ilustre desconhecido que a França acabava de herdar? O Sensei Kase é um homem de baixa estatura, mas que vive, sente e incute no praticante o verdadeiro sentido do Karate. O Sensei Kase é famoso e muito respeitado em todo o mundo. Desfruta de um enorme prestígio internacional, sendo considerado um dos Grandes Mestres da actualidade. A sua dedicação ao Karate (toda a sua vida, uma vez que nunca desempenhou outra actividade para viver, exceptuando-se alguns trabalhos pequenos, temporários, que lhe permitisse sobreviver e possibilitar o seu treino) e o seu espírito desprendido trazem-lhe a admiração de todos quantos com ele treinam e aprendem, tornando-o num instrutor querido de todos.



Nós, europeus, temos uma boa razão para estamos orgulhosos de Sensei Kase. De vários quadrantes foi solicitado o seu regresso ao Japão, mas Sensei Kase nunca vacilou dizendo que o seu lugar é na Europa: foi cá que ele construiu a sua carreira e é na Europa onde estão os seus estudantes.

Sensei Kase mostrou-nos até onde poderemos ir com um disciplinado e regular treino de Karate. Ele sempre disposto a compartilhar os conhecimentos e experiência com todos os que queiram escutar. Para estes um pequeno, mas grande conselho, que todos deveríamos guardar: " Todos o karatekas deveriam praticar pelo menos durante 20 anos antes de se decidirem, ou não, a continuar. Só então todo aquele duro trabalho começará dar os seus frutos. Então melhorará mais rapidamente e o treino se tornará mais fácil. Quando a pessoa alcança este sentimento não mais deixará este seu caminho.

Não são muitos os Mestres da geração do Sensei Kase que ainda se encontrem vivos. Os que ainda existem continuam a provar serem os Mestres de ontem, mas limitados pelos problemas inerentes à idade. Também o Sensei Kase teve os seus problemas.

Na primavera de 1999 teve um ataque cardíaco, tendo sido tratado numa unidade de cuidados intensivos. Apenas meio ano depois já estava treinando e ensinando novamente, tecnicamente tão soberbo quanto sempre e mentalmente mais forte que nunca. Como diz o próprio Taiji Kase: “Isto só é possível se se vive como você se ensina.. Se ensina Karate tem que treinar regularmente. Tem que treinar mais duro e mais intensivamente que seus alunos. Se você tem treinado durante muito tempo, o Karate está dentro de si e você pode-o treinar onde quer que esteja".

Será, talvez, essa a razão que torna possível ao Sensei Kase desenvolver ainda mais o Karate. Ele não está apenas ensinando ou repetindo os mesmos métodos de treino como dos instrutores fez em 1960's. Em vez disso, de acordo com as suas próprias palavras, assumiu do ponto onde Yoshitaka Funakoshi terminou. Recordando e respeitando todos os princípios principais deixados ele desenvolveu bastante as técnicas de Karate sem parar.


Actualmente com a graduação de 9º Dan, é presidente da Shotokan Ryu Kase Ha Instructors Academy (nascendo a partir da World Karate Shotokan Academy), organismo que visa a formação de instrutores de todo o mundo, segundo a linha de Karate tradicional
Todos os seus cursos (estágios) são para nós experiências inesquecíveis. Deve ser dito que o Sensei Kase é uma pessoa de grande sinceridade e leal, cuja sua autoridade provem do seu exemplo, da sua humanidade, integridade e grandes habilidades de Karate.


Sensei Kase teve, e manteve, uma carreira distinta e sem ele o mundo de Karate teria sido bem mais pobre.

Este artigo foi escrito antes do Sensei falecer. No entanto achei por bem nada alterar, pois a sua presença continuara sempre viva entre nós.

21 comentários:

Vitor Manuel disse...

Muito bom blogue.

Anónimo disse...

As minhas felicitações pelo blogue que representa mais um importante contributo no sentido de preservar a memória de Sensei Kase. Sou aluno de Octavio Rodrigues, em Setúbal, e tive o previlégio de treinar em vários estágios com Sensei Kase.Considero fundamental que se prossiga com a transmissão do legado de sensei kase em detrimento da solução fácil de ligação a outras escolas internacionais.Cumprimentos.

Anónimo disse...

É uma das grandes lendas do Karate Shotokan, também tive o prazer de treinar com ele em Setúbal. Concordo que deve-se preservar os seus ensinamentos, mas não acho que a ligação a outras escolas internacionais seja uma solução fácil, muito pelo contrário.

Sem este grande Sensei que certamente teria sempre algo para nos ensinar ou recordar ficou um fazio e certamente muita matéria nova e correcção de pequenos - grandes pormenores que ficarão por fazer. Não será certamente com o nosso conhecimento sem a ajuda das grandes organizações internacionais que têm grandes Sensei que evoluiremos!

A acomodação é das piores coisas para o corpo e mente é necessário recorrer às grandes escolas de forma a não estagnarmos.

Mas para isso é preciso coragem, humildade para "bater a outra porta" e vontade. Um bom Karateca tem de ter a mente aberta, pois algumas coisas mudam de organização para organização, o mais importante é perceber os porquês das diferenças e não aceitar tudo o que se ouve.

A vida continua e certamente nas grandes escolas internacionais (JKS, SKIF, JKA, KWF, JSKA, entre outras) haverá alguém que nos dará mais matéria para aprendermos.

Estagnando como o Sensei Octavio é que não é caminho, pois está cada vez vez mais a ficar sem matéria para dar aos seus alunos e a criar artimanhas para que das duas uma, ou ele se auto - gradua, ou estagna os alunos nas graduações!

Anónimo disse...

Olá chamo-me Ana Goullati tenho 43 anos sou professora universitária e treino com uma paixão desmedida o karate desde há cerca de 20 anos. Ao passar pelo vosso blogue não podia ficar indiferente em relação a determinadas opiniões. O meu mestre costuma dizer: "Procurai longe e longe ficareis, porque a procura é uma fuga, porque só procuram os que ainda não acharam". Treinei o Shotokan com variados instrutores nacionais (Porto; Coimbra; Algarve e Lisboa) e internacionais, nomeadamente japoneses todos eles extraordinários: no karate que mostraram, mas nenhum É como o meu actual mestre: extraordinário no karate que se não mostra mas que envolve um belo e tremendo sentimento do SER. Obrigado pela diferença. Ah! é verdade o meu Mestre chama-se Octávio Rodrigues.Beijinhos a todos. Ana Goullati

Anónimo disse...

Boa tarde, fui durante alguns anos, aluno do Sensei Octávio Rodrigues em Setúbal. Através dele participei em diversos campeonatos, estágios com Mestres Japoneses e demonstrações de Karate, onde eram exibidos kata, “kata-bunkai” e também quebras de madeiras e gelo, estou a falar de meados de 1990, altura em que a sua graduação era de 3º Dan.
Por razões profissionais, ausentei-me do País, ausentando-me igualmente do Karate, contudo o bichinho permaneceu dentro de mim, o que me levou após alguns anos afastado, a regressar aos treinos, desta vez pelas mãos do Sensei Lavorato, em França.
No ano 2006 regressei a Portugal, abri um Dojo e tentei reencontrar o meu antigo Sensei, curioso por ver a sua evolução e adquirir através dele novos conhecimentos sobre esta arte, porém sem sucesso, pois não o encontrei.
Comecei então a treinar e estagiar (em Portugal) com outros mestres, sempre com o objectivo de absorver os conhecimentos de cada um deles e estudar as respectivas diferenças, tais como Sensei Peté Pacheco – 7º Dan, Vilaça Pinto – 7º Dan, José Ramos – 7º Dan, Mário Águas – 7º Dan, António Pula – 6º Dan e Cláudio Fung – 6º Dan, ficando com todos eles impressionado, considerando toda esta experiência uma mais valia para a minha formação.
Somente no presente ano de 2011 é que lá descobri o meu antigo Sensei de Karate Shotokan (Sensei Octávio Rodrigues), que continuava a ministrar aulas principalmente em Setúbal, tendo actualmente a graduação de 7º Dan.
Não era já de facto o Homem que outrora conheci, adoptou outro nome, chama-se agora Dharma Hafiz, deixou a JKA, saiu do percurso competitivo e já não participa em estágios com outros Mestres, o que de certa forma considero prejudicial.
Assistindo agora a estágios ministrados por si, noto que não obstante a sua decisão em manter-se afastado de outras associações, continua a ser um grande Mestre de Karate, que segue a linha do Mestre Taiji Kase (Karate-Do Shotokan Kase-Ha), talvez um pouco adaptado às suas experiências pessoais e ao seu retiro na Índia, onde se presume terem surgido as Artes Marciais (Bodhidharma).
Reparo realmente em algumas diferenças, nomeadamente alguma desactualização no que respeita a regras (Gohon / Sanbom Kumite – actualmente quem ataca, no final recua e quem defende, no final avança), mas reparo também no ensino de técnicas mais avançadas no que respeita a bloqueios.
Ainda assim reconheço a qualidade do seu Karate e continua a ser o meu Mestre de eleição.

Anónimo disse...

"Vi partir o Sensei, vi chegar um Mestre"
Primeiramente quero saudar o blogue e todos os seus intervenientes pela educação, compostura e respeito que demonstram na emissão das suas opiniões em relação á arte e a todos aqueles que quer por uma ou outra razão se cruzaram e vão cruzar no caminho de todos nós. Direi em segundo que encontrei este blogue por mero acaso (embora ache que nada na vida é por mero acaso) achando interessante o que se lá diz, que directa ou indirectamente implica também com parte do meu percurso, não só na minha profissão de enquanto médico reformado mas sobretudo no caminho de atingir o conhecimento de mim mesmo,que me propus participar partilhando a minha modesta opinião, que tem concerteza um valor simbólico para vós mas que para mim preenche a base da minha experiência em saber viver.
Tenho já uma idade avançada que nem me atrevo a dizê-la mas a prática do DO karate faço-a neste momento como de uma criança se trate e isso devo sem sombra de dúvida a todo um ensinamento do Mestre Dharma Hafiz que sempre nos vai dizendo e passo a citar: "Por mais que o físico se altere o espírito permanece sempre novo e cheio de amor", obrigando-nos com as suas mensagens englobadas nas duras exigências do treino a permanecer nestes princípios.
Octávio Rodrigues; Dharma Hafiz, não estou minimamente interessado identidade do Mestre mas sim na sua individualidade, até porque qualquer um de nós chegou até aqui sem nome, nenhum de nós trouxe um nome consigo, mas o nome lhes foi dado. A constante repetição é que faz que cada um de nós se comece a identificar com ele.
O que eu sei é que cada aula é de uma riqueza espiritual extraordinária com o coração a prevalecer sobre tudo o resto... Permanentemente nos diz:"Ouçam o coração, porque é o coração finalmente que decidirá o calibre do seu ser, o próprio crescimento da sua consciência além da morte. Qualquer outra coisa é simplesmente mundana. Qual a sua continuidade?", todo o seu ensinamento é voltado para a nossa evolução enquanto Ser, tal qual diz a Ana e muito bem, são aulas soberbas do ponto de vista de viver a vida através desta arte maravilhosa.
Muitos são os que vão entender o que aqui agora vou dizer: quantas vezes me desloquei a Lisboa para treinar e ao descer ao Dojo era logo maltratado por aqueles que se julgavam superiores por apenas terem o título de mestres ou sensei's. A cortina corria e a única coisa que era passada como treino era um agora desenrrasquem-se e vá de jukumite (muitas vezes o dito MESTRE escolhia a preceito os "sacos" de pancada ao qual chamava de kumite... (isto é como se faz no Japão, dizia ele...). De regresso a casa a única coisa que se trazia era uma enorme frustação e o contar das enormes mazelas armazenadas por treinos... como se faz no Japão....
O karate não pode ser isto, comentava apenas para mim com o receio de ser o único a interpretar tão nobre arte dessa maneira.
Foi então que me desloquei a Setúbal para conhecer pessoalmente o Sensei Octávio Rodrigues, pessoa de aspecto austero mas de fácil comunicação. Desde então e já são muitos os anos que permaneço fiel aos seus ensinamentos, é verdade que senti a sua perda quando vi partir o Sensei. Agora que chegou, vi chegar um Mestre e permanecerei com ele (enquanto ele me aceitar), até á morte, porque quando se vive momento a momento com totalidade e se consegue espremer todo o sumo da vida, a morte será o orgasmo definitivo.
O encontro com aquilo que É, é o único desejo que quero para mim e que estendo a todos vós. OSS!

Anónimo disse...

Estou surpreendido pela positiva com este blogue.
Nunca tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o mestre taiji kase a não ser em videos colocados no you tube. Pelo que é dado a ver deveria ter sido efectivamente um grande mestre, tenho pena.
No entanto não posso de deixar de reparar que aqui se fala de outro mestre que também não conheço nem nunca tinha ouvido falar dele, que me parece causar mais envolvimento nos comentários do blogue que o próprio mestre Kase.
Gostava que algum de vocês me informassem se é possível participar em alguma aula ou estágio deste mestre e aonde? porque me parece ir de encontro ao que eu há bastante tempo procuro.
Fico a aguardar a vossa dica.
Obrigado pelo blogue está no mínimo agradável de seguir.
Pedro Fonseca

Vítor Ramalho disse...

Mande um e-mail para vitorramalho1@gmail.com

Anónimo disse...

Sou jornalista de profissão e quero iniciar o meu comentário neste blogue, congratulando os seus administradores pela ideia, pois sou um apaixonado por artes marciais, em especial por Karate, desporto que pratiquei durante alguns anos.
De facto o tema postado neste artigo é sobre o Mestre Taiji Kase, uma Grande Lenda do Karate Shotokan, que infelizmente já faleceu, pessoa que tive o privilégio de conhecer pessoalmente.
Reparei também em comentários referentes a um Mestre Português, o Sensei Octávio Rodrigues (Dharma Hafiz), pessoa que também conheci pessoalmente e com quem também treinei, no Clube Naval Setubalense, nos Bombeiros Voluntários de Setúbal e na Escola Preparatória do Bocage.
Ora bem, falando em Portugal de Karate Shotokan e do Sensei Taiji Kase, torna-se obrigatório falar também do Sensei Octávio Rodrigues, digamos que quase um seu discípulo, pois fez questão de seguir a mesma linha de estudo (Karate-Do Shotokan Kase-Ha Ryu).
Posso por experiência própria afirmar que o Sensei Octávio Rodrigues é dos melhores mestres de Karate Shotokan que conheço (não desfazendo de muitos outros que também conheço e são excelentes), confirmando que de facto abandonou o mundo competitivo em que outrora participava com excelentes resultados, dedicando-se agora ao ensino do puro Karate Shotokan Tradicional, aquele que era antigamente ensinado de pais para filhos e que explorava o limite das nossas capacidades fisícas e mentais, ministrando o Karate com a mesma filosofia do Mestre Gichin Funakoshi.
Quero ainda acrescentar, se me for permitido, que o Sensei Octávio Rodrigues não estagnou conforme li num dos comentários, pelo contrário, é um profundo conhecedor de toda a matéria do Karate, apenas o vê agora com um olhar diferente e irá presidir um estágio, nos próximos dias 18 e 19 de Junho de 2011 em Porto Côvo.

Anónimo disse...

Obrigadão pela dica do estágio. Já tinha enviado um mail para o senhor Vítor Ramalho mas este de volta disse-me que não sabia do paradeiro do mestre Octávio Rodrigues á mais de 4 anos,pela resposta fiquei sem entender muito bem porque é que mencionou o seu mail para contacto. Estágio em Porto Covo é na boa uma vez que vivo em Odemira.
Cada um é como cada qual, mas porque que é que o people não se identifica? seria fixe para podermos trocar ideias mais pormenorizadas.
Pedro Fonseca

Anónimo disse...

Em primeiro lugar quero dar os parabéns a quem de direito pelo vosso site.
Quero também aqui manifestar saudade do Sensei Taiji Kase com quem tive a oportunidade de treinar, concordo que será uma das grandes lendas do Karaté Shotokan mundial que deixará muitas saudades.
Quero deixar também aqui alguns reparos:

1 - Mestre é quem domina uma arte, dai ser incorreto chamar “Mestre” a um sensei, pois por muito bom que este seja ele não mestria a técnica. À que distinguir o saber e o saber fazer na perfeição. A mestria é algo praticamente inatingível, a chamar mestre quanto muito só o chamaríamos ao Shihan Gichin Funakoshi a meu ver.
1.1 - Shihan também não faz muito sentido, é o título mais alto das artes marciais. É atribuído a alguém que tenha dado grandes contributos ao Karaté Shotokan, cuja vida seja exemplar. Muitos Japonêses 8º Dan não se podem dar ao luxo de o ser. Hoje em dia este título é cada vez mais banalizado, sendo erradamente e comummente atribuido Instrutores Chefes de organizações reconhecidas.

2 - Penso que hoje em dia, Instrutores mal formados mentalmente a fazerem de seus alunos sacos de boxe são menos comuns mas são uma realidade. O que existe mais lamentávelmente é algum sentido de superioridade (e não estou a falar em termos de Karate) de cintos graduados/ instrutores em relação aos cintos menos graduados e iniciantes pensando que têm o "rei na Barriga".

Anónimo disse...

Olá novamente, de quando em vez gosto de espreitar aqui pró blogue, que é como quem diz bisbilhotar os comentários que aqui vão passando, coisas de mulheres! :-)
Cada um é livre de expressar a sua opinião e só assim os debates têm realmente interesse. Venho até aqui porque as opiniões têm sido relevantes e feitas com lisura e decoro,que assim continue por diante pois só teremos a ganhar com isso.
Pergunto??
Era ou não É Taiji Kase um mestre; pela técnica? executada? ensinada?; pelo homem? pelo ser?
O que é um mestre afinal? o que domina uma técnica na perfeição? ou um conjunto delas? e quem é que atribui essa perfeição? são os perfeitos? são os não perfeitos? grande confusão não é!
Olhem com o meu mestre é tudo bem mais simples deixo-vos aqui para vossa reflexão algumas das suas palavras que connosco partilha:

"O mestre não é um mestre de outros, porque todos possuem uma mestria escondida dentro de cada um, mas é cada um mesmo quem está a obstruir o caminho"

Bem mais simples não é.
Beijinhos a todos
Ana Goullati

Anónimo disse...

Quando fiz um comentário relativamente ao significado de “Mestre” não estava-me a referir ao Sensei Taiji Kase, mas sim ao Sensei Octávio! O Sensei Kase pela sua postura humilde que tinha e pela linhagem dentro do estilo shotokan que criou é um Mestre da linha Shotokan Kase Ha e uma referência mundial do Karaté Shotokan.

O Sensei Octávio é algo completamente diferente, começando pela postura! Teve o seu ponto alto de carreira entre finais da década de 80 até à década de 90, foi uma referência do Karaté Shotokan nacional em termos técnicos, quanto a mim e muita gente que conheci, a sua parte humana é que deixava a desejar! Quando os seus alunos/ inscritos na sua associação começaram-se a aperceber disso viu-se subitamente rodeado de poucos alunos. Situações de falta de isenção em campeonatos e exames de graduação, arrogância, comércio de graduações e de outras situações que poiem em causa a ética profissional. Não era nada fácil falar com ele, nos estágios por exemplo, quando explicava algo economizava palavras, utilizava basicamente gestos. No mundo do Karaté teve demasiadas “zangas” e actualmente (penso) que relaciona-se com muito pouca gente fora da sua organização.

Hoje em dia desconheço completamente a sua realidade, mas com a diminuição de alunos que teve, penso que encontrou outro negócio com o qual concilia o Karaté, o Rieki. Espero sinceramente que a estadia na India lhe tenha feito bem, se tiver emendado a sua postura perante a vida penso que pode ser uma mais-valia para o Karaté da região onde esteja a dar aulas. Espero que ele não diga palavras bonitas cheias de significado da boca para fora para apenas "Inglês ver" sem as aplicar/ tentar seguir.

Anónimo disse...

REIKI, É REIKI QUE SE DIZ E NÃO RIEKE, FALE COMO DEVE SER RAPAZ!

A maledicência é própria dos ignorantes...e/ou dos de mal com a vida!!!

Anónimo disse...

De rapaz não tenho nada, de reiki (obrigado pela retificação) também não percebo nada, de Karaté já percebo alguma coisa, se bem que já não estou no ativo. Mas uma coisa é certa, NADA disso invalida o que disse!

A maioria das coisas que contei foram passadas na 1ª pessoa, outras foram-me contadas por fonteS crediveiS e próximaS, podia dizer acontecimentos mais concretos mas o que disse chega, é o suficiente para alertar quem desconhecia.

Sinceridade (Máxima de Karaté) e franqueza nunca foram sinónimos de maldizer apesar de muitas pessoas não gostarem de tais qualidades e ficam-se pelo politicamente correto! Se for feita uma análise do que disse não encontrarão só Sinceridade (Maledicência para alguns) encontrarão também o sincero elogio.

Fico-me por aqui, fiz a minha obrigação, Oss!

Anónimo disse...

Pausa para diversão no blogue, entrou um PALHAÇO.

Anónimo disse...

Este blogue consta de um assunto sério e importante para que seja exposto a comentários impróprios e inadequados. Os seus administradores pessoas também elas sérias e com larga experiência na arte não merecem tal despropósito.

Cada um é livre de expressar a sua opinião embora reconheça que o manifesto da pessoa acima menciona não conhecer nada do reiki (também não sei nada) mas não deixou de o manifestar como um negócio para o sensei, e isto já é entrar na provocação barata.
Ora quem diz o que quer arrisca-se a ouvir o que não quer.

Este blogue a meu ver é importante, portanto deve ser mantido por todos os seus intervenientes com a importância que efectivamente merece. Obrigado.

Digam o disserem, quer se goste ou quer se não goste, o Sensei Octávio Rodrigues foi incomparavelmente do melhor que apareceu em Portugal nesta modalidade tão prestigiada quanto o Karate é.
Afirmo isto porque convivi com ele bem de perto através de inúmeros estágios que administrou inclusive em Aveiro por várias vezes, cidade onde nasci.
Os treinos por ele dados ninguém os entendia durante o percurso da aula, apenas no fim quando tudo se ligava quando tudo se conjugava. Era como se tivéssemos a construir um puzzle e só no fim sabíamos o seu conteúdo.
Eram estágios extraordinários do ponto de vista da técnica; da apreensão mas sobretudo do desenvolvimento do espírito.
Recordo um estágio, salvo erro em Coimbra, que numa aula de graduados, exigindo a todos dar o máximo, começamos por fazer o kata heian shodan vinte uma vezes consecutivas sem parar.
"Os sobreviventes", e não foram muitos, entramos na continuidade do treino totalmente a levitar, sensações que até hoje nunca mais as esqueci, bem como a aula fabulosa que nos presenteou.
No entanto muitos foram os que no vestiário manifestaram tremendo desagrado.

É verdade que pela dureza e diferença das suas aulas e postura não agradava a todos. Para mim tinha uma visão do Karate muito á frente dos demais, penso que nós ainda não estávamos "na altura", digamos, na mesma "onda" dele.

Só agora entendo muitas das coisas ensinadas por ele, e por isso deixo -lhe aqui publicamente o meu agradecimento.

Também deve ser dito de que o Mestre Taiji Kase tinha por ele uma enorme predilecção, o que incomodava e muito "outros".

Por isso, pela sua diferença e indiferença, criou, é verdade, muitas animosidades.

Esteja onde estiver e faça o que fizer no presente, fica aqui o meu bem haja e um grande abraço.

28 de Janeiro de 2012
Carlos Liberato de Sousa

FRGV disse...

Boa tarde, estou hoje de regresso ao blogue, apenas para informar que no fim de semana 19 e 20 de Maio de 2012, em Alhandra, vai-se realizar mais um estágio de Karate Shotokan (linhagem Shotokan Ryu Kase Ha), ministrado pelo Sensei Octávio Rodrigues.
15 de Maio de 2012
FRGV

Anónimo disse...

As minhas felicitações pelo blogue que representa mais um importante contributo no sentido de preservar a memória de Sensei Kase.
Sou aluno do Sensei Octávio Rodrigues, em Setúbal, e tive o privilégio de treinar em vários estágios com Sensei Kase.
Passo a informa-los que o Sensei Octávio Rodrigues adotou outro nome, chama-se agora (Dharma Hafiz), e não ficou estagnado como alguns pensarão, foi evoluindo no ensino para técnicas mais avançadas e seus pormenores no que respeita a bloqueios/ataques, etc…, pois não lhe falta matéria para dar aos seus alunos para evoluírem, são aulas soberbas de facto duras e reais explorando os nossos limites.
Sensei Octávio Rodrigues, continuava a ministrar aulas principalmente em Setúbal, saiu do percurso competitivo de facto abandonou o mundo competitivo dedicando-se agora ao ensino do puro Karate Shotokan Tradicional uma via marcial, aquele que era antigamente ensinado que explorava o limite das nossas capacidades físicas e mentais, ministrando e seguindo a mesma linha de estudo do Sensei Kase.
Posso afirmar que o Sensei Octávio Rodrigues é dos melhores Senseis de Karate Shotokan que conheço, a sua decisão em manter-se afastado de outras associações em termos competitivo. Pois o ensino do Karaté tradicional que o Sensei Octávio Rodrigues que leva os seus alunos ao limite das suas capacidades, não cativa muitos praticante.
Porque se o Sensei Octávio Rodrigues tivesse optado pela competição é claro que tinha os Dojos cheios de atletas, foi o que fizeram os outros senseis escolheram o caminho mais fácil, não bastando foram adulterando e adaptando o karate que praticam cada vez mais á competição, e vendo mais a parte monetária, porque seguir um ideal uma convicção tem as suas vicissitudes, é de uma pessoa sábia é a que tem consciência de qual caminho quer seguir.
Digam o que disserem, quer se goste ou quer se não goste, o Sensei Octávio Rodrigues é incomparavelmente do melhor que apareceu em Portugal, é um Sensei que se encontra muito á frente dos outros, é um facto que incomoda muita gente,
18/09/2012
M. Aug.

Anónimo disse...

As minhas felicitações pelo blogue, sou aluno do Sensei Octávio Rodrigues, em Setúbal, e segundo o que sei como prova que o Sensei Octávio Rodrigues, não está estagnado vesse pelo numero de Dojos que pertencem ao Instituto Shotokan KarateDo que são em Setúbal; Azeitão; Palmela; Pinhal Novo; Montijo; Alverca; Alhandra; Sines; e dois no Algarve.
E o Sensei Octávio Rodrigues, sempre a dar treinos de karate tradicional.
19/09/2012

Anónimo disse...

Boa tarde, numa pesquisa ocasional encontrei este blog dedicado à linha do Sensei Kase, o que achei bastante interessante.
O que é extremamente lamentável é que num tema dedicado ao Sensei Kase os visitantes que por esta página passam em vez de se limitarem a falar do tema, utilizam este espaço para fazer publicidade ou lavar roupa suja!

Nada disto é Karaté, não vai de encontro com o Dojo Kun! Shame on you!

17-12-2012